domingo, abril 06, 2008




Durante um passeio ao mercado, Alma foi seqüestrada por sete índios de sete etnias diferentes e levada ao País do Encontro. No caminho, disseram que apenas um ser de cada identidade poderia viver naquele lugar e os caminhos que os levariam eram tantos, tão distintos e entrecruzados que só seriam medidos pela vã capacidade de imaginar o total.

Alma fora a escolhida, apenas ela poderia pôr os olhos naqueles campos, onde cada pessoa falava uma língua própria e fazia gestos incompreensíveis. Foi uma jornada longa e turbulenta, crivada de aquarelas de iluminuras. A moça cruzou pontes no céu e no inferno apenas para chegar, chegar onde todos estão e ninguém chega. Por estradas que só são percorridas no intervalo de um beijo, de um pequeno e singelo compartilhar. Andou primaveras e outonos, sonhou ao relento e quando finalmente chegou, se perdeu.

Enquanto a moça permanecia entre os estranhos, o tempo rangeu suas engrenagens, rodou as partículas do presente até produzir uma noite de tempestade. Cada trovão iluminava um rosto diferente, fazendo com que cada rosto, no medo, nas ruas de sentir, se reconhecessem tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão próximos; o País do Encontro se encontrou e caiu ao senso da terra. Sem que nada mais acontecesse, surgiu no meio do mapa, entre o leste e o oeste, apenas um ponto num emaranhado rabisco mundial.


Alma, que já vivia naquele país há muito tempo, saiu para visitar os países vizinhos, fazia muito tempo que não via ninguém que compartilhasse uma mesma identidade, e ao sair das fronteiras, assustou-se: não havia tais pessoas, tudo que encontrou foram enamorados, amarrados a beijos que se selavam e se dissolviam em eternas sucessões de ser tal como sempre foi, de ser um e muitos, de ser Alma.




3 comentários:

Anna disse...

Somos Almas até que começamos a compreender e entender as pessoas, daí teremos nosso País de encontro.
Adoro menções parecidas com Torre de Babel, que é bem sugestivo ligando o texto e o título do seu blog.

Ingrid Biann disse...

Não importa de onde as almas vêm, ou o quanto viveram em outros lugares, sempre há um ponto em que, mesmo no meio do caos, há uma lampejo de reconhecimento.

Jamila disse...

Olá, rapaz!
Que forte e carinhoso seu comentário no meu blog.
Voltei com ele agora... não conseguia escrever nada antes. Vamos ver se melhoro e você mantém a tal paixão.
:)